Olha para dentro de ti mesmo!
Hoje, que tempo de egoísmos!
Hoje? Hoje e sempre!
Está em tuas entranhas sujas
pelo teu próprio eu
No subterrâneo do teu ser
no dna, na evolução
és egocêntrico
pensas em ti
primeiro em ti
por último também
Disfarças com teus ares piedosos
teus falsos sentimentos de fraternidade
Falso
tão falso quanto teu sorriso
Sorriso social
E por que não ficas só?
Precisas dos outros para afirmar
teu egocentrismo disfarçado
pelas faces que crias
tão inúteis como teus esforços
em ser melhor
mais humano
Quanto mais humano, pior és
narcisista hipócrita!
Afoga-te em teu pobre interior!
Feliz daquele que não enxerga no espelho
sua estúpida humanidade
que não tem salvação
nem em olhares de relance
tímidos e desinteressados
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
Camas Voadoras
As
camas voavam alto, alto, bem alto
Laçava
a cama de meus pais
Que
estava laçada na cama de meus avós
Meu
irmão laçava minha cama
Assim
estávamos juntos, não nos perderíamos
Eram
tantas camas...
Como
será que todas as camas do mundo foram parar no céu, voando?
Certo
que deve ter sido em sonho!
Como
nos alimentaríamos?
Talvez
fossemos buscar em algum planeta, ou no céu não se sente fome
De
repente uma voz:
-Sai
já daí guri! Para de pular na minha cama! Desce!
Pés
pequenos e descalços tocam o chão batido daquela humilde habitação.
Aterrissagem
na desimaginação.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
Toque
No
princípio afagava aquela figura pequena com sua mãos grandes, ásperas, passava-as pelos
cabelos finos, delicados, com brilho.
Depois,
ele chegava sem tanta candura, tocava as coxas, tão femininas, com mãos frias,
bolinava os seios firmes, com mãos duras, buscava sôfrego, a boca quente, rósea.
Ela
já não resistia, se entregava, suas carnes já amolecidas; ele devagar tocava os
cabelos agora brancos, lentamente acariciava os seios flácidos, a possuía...
ela se esvaía...
Tempo
sussurrava: - Vida?...Vida?
sábado, 31 de agosto de 2013
Velha
Sabes aquele dia em que te acordas, te sentes velho, quase decrépito, sem ânimo, pois é, assim estou...
Remoendo lembranças como um bom velho. E aí me veio a memoria, que por vezes me falha e me engana, aquela velha...
Aquela velha, quantos sentimentos pode despertar só de olhar. Ela com aquele cabelo branco, com o penteado "amassado de travesseiro", este denuncia todos os redemunhos daquela cabeça. Já se viu! Uma velha de calças e vestido por cima! E aqueles olhos lá no fundo, ressaltando os ossos das maças do rosto, aquela boca fina que sibila enérgica para fazer reclamações de tudo e de todos, suas incontáveis queixas, seu entusiamos em dizer a todos que já passara a muito dos 90... Olha! Olha e verás como ela é... Quantas dores, está sempre com os dias contados...mas não se cansa de pedir panquecas no jantar, burlando qualquer problema estomacal que tenha anunciado em seu rosário de dores e doenças crônicas.
Roupas tão estampadas, cores, cores, nada combina naquela magreza sem fim, estás vendo a cara? Aposto que vai falar mal de alguém, provável que seja reclamar do barulho que os jovens vizinhos fazem na esquina. Talvez estivesse lançando moda nos dias de hoje com seu estilo retrô-florido-recatado, sim né, mulher que se preze não sai de calças sem um vestido por cima!
Tens medo dela? Posso estar exagerando...talvez um olhar muito infantil. Mas aquela casa de esquina só com chapisco nas paredes, nenhuma cor, as janelas e a portinha cinza, parece que aquele pátio é um mato só... Não! Não passa as mãos na parede! Vas te lanhar toda a palma!
Te parece cara de caveira? Eu concordo, Cama de molas, colchão esquisito, acho que é de palha e que cheiro de velho sai dali!!O guarda roupas é bonito, tem uma porta com espelho dentro, de madeira boa, bem rebuscado, daqueles que cabem crianças dentro, mas como driblar o olhar reprovador da velha? O marido era carpinteiro, morreu...De quê? de velho oras! Usava tamanco com solado de pneu e quando pisava na cola do gato...era um escarcéu! Parece que ele veio de Portugal para trabalhar na construção da ponte e casou com essa velha meio castelhana, só não sei se era de Río Branco, não sei.
É! talvez ela seja assim por isso. Imagina! De 9 filhos sobrar só uma filha, a mais nova, sete morreram de sabe-se lá o quê, muita pobreza naquela época, não se criavam... sobrou o casalzinho, mas o menino já taludo desembestou de atravessar o rio! Quantos esse rio já levou e ainda vai levar, meu Deus! Olhando assim, por esse lado, olhando bem aquela cara de caveira...Amarga né? Mas...olhasse aquela foto velha na penteadeira? Sim, aquela preta e branca. Ela sentada na cadeira, o buquê sobre as pernas, as mãos juntas, vestido a lá anos 20, pobre, mas mantendo o estilo da época. Ele de pé ao lado dela, um terno, botinas e calças curtas, deixando a mostra as botinas...uma mão sobre o ombro dela, jovens...mas já estavam nos 30, eu acho. Por que expressões tão sérias? Ah! Devia ser costume na época, tinha até aquelas fotos de perfil, como que olhando para o nada... Se ela ainda é viva? Claro! Acho que não morre... pelo menos não na minha memoria...se é que não me falha, não me engana. Aquela velha...já nem sei. Talvez tenha inventado, sabe aquele dia em que te acordas te sentindo velho, quase decrépito?
domingo, 25 de agosto de 2013
Toc
toc
Quem
é?
Sou
eu
Eu?
Sim,
tu
Como
assim?
Achaste
que podias fechar como um livro? Calariam? Como?
Que
conversa é essa? Quem é afinal?
Eu,
tu, nós, os outros, nosotros. Elas estão te chamando, não ignores és tudo isso.
Pensaste que tinham sumido, calado, fugido? Que procura mais besta! Sempre
estiveram aqui, ali, aí... como um grito, como um bálsamo, com sentido, sem
sentido.
Palavras
Eu
sou, tu és
São
elas
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
100º A palavra de hoje: Ciclo
Tudo na vida é cíclico? minutos,
horas, dias, meses, anos, momentos. Cíclico e circular como a barriga de uma
gestante. E de repente nasce...quem sabe um outro ciclo, tão vivo, em
movimento, metamorfose, para que outros se fechem em morte. Morro um pouco
agora para saber que nasci na incompreensão de mim mesma, compreendendo o
incompreensível, para logo depois pensar diferente de tudo que escrevi. Na
amargura e doçura de ser dicotômica. Expressando justamente o que eu não queria
expressar. Cem palavras para que eu compreenda que estou sem palavras, mas
ainda tenho mil palavras, vazias na pia para limpar.
Encerro aqui um ciclo, um momento
muito importante para mim, momento de libertar palavras...que muitas vezes nos
atormentam, entalam na garganta, arranham, arrulham, gritam ou calam. Por vezes
calamos, sentimos medo, insegurança, desesperança, mas entendo, hoje, que as
palavras exigem liberdade, não devemos escondê-las dentro de nossos baús
interiores, devemos soltá-las ao vento sentir seu sabor. Momento de
metamorfose, momento de assumir-se como ser com imaginação, sentir o poder da
língua e sua chicotada mortal, senti-las escapar entre os dedos, lábios e
mente, mentindo as possuir. Fingir que posso parar o tempo e acreditar que o
relógio é meu.
Renascerei em outro espaço, outra
folha, outra bolha... porque não posso mais parar, tu me domina e eu te quero dominar.
Te toco, te bolino, te morfo, te atiro a outro lugar, mas tu segues, palavra
indócil...sempre a me desafiar. Atormentando uma mente insana que te ama e quer
te admoestar. Sublime é se expressar, inventar, criar, viver outros mundos que
não somente os meus. E deixo que me toques, me penetres na mente e na alma e
assim me alimento das mesmas palavras que outros expulsaram. És mesmo vadia,
profana, mundana e andas de boca em boca, dormes em algum papel e acordas nos
olhos de outro que não eu, vives intensamente todo o teu poder desfaçatado de
trocar de pele como uma cobra viscosa e traiçoeira, feiticeira do dizer.
E o que dizer quando acontece
algo indizível... bom, só me resta o recomeço de outro ciclo infinito de um
labirinto de letras, sílabas, palavra, frases...
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