Tudo na vida é cíclico? minutos,
horas, dias, meses, anos, momentos. Cíclico e circular como a barriga de uma
gestante. E de repente nasce...quem sabe um outro ciclo, tão vivo, em
movimento, metamorfose, para que outros se fechem em morte. Morro um pouco
agora para saber que nasci na incompreensão de mim mesma, compreendendo o
incompreensível, para logo depois pensar diferente de tudo que escrevi. Na
amargura e doçura de ser dicotômica. Expressando justamente o que eu não queria
expressar. Cem palavras para que eu compreenda que estou sem palavras, mas
ainda tenho mil palavras, vazias na pia para limpar.
Encerro aqui um ciclo, um momento
muito importante para mim, momento de libertar palavras...que muitas vezes nos
atormentam, entalam na garganta, arranham, arrulham, gritam ou calam. Por vezes
calamos, sentimos medo, insegurança, desesperança, mas entendo, hoje, que as
palavras exigem liberdade, não devemos escondê-las dentro de nossos baús
interiores, devemos soltá-las ao vento sentir seu sabor. Momento de
metamorfose, momento de assumir-se como ser com imaginação, sentir o poder da
língua e sua chicotada mortal, senti-las escapar entre os dedos, lábios e
mente, mentindo as possuir. Fingir que posso parar o tempo e acreditar que o
relógio é meu.
Renascerei em outro espaço, outra
folha, outra bolha... porque não posso mais parar, tu me domina e eu te quero dominar.
Te toco, te bolino, te morfo, te atiro a outro lugar, mas tu segues, palavra
indócil...sempre a me desafiar. Atormentando uma mente insana que te ama e quer
te admoestar. Sublime é se expressar, inventar, criar, viver outros mundos que
não somente os meus. E deixo que me toques, me penetres na mente e na alma e
assim me alimento das mesmas palavras que outros expulsaram. És mesmo vadia,
profana, mundana e andas de boca em boca, dormes em algum papel e acordas nos
olhos de outro que não eu, vives intensamente todo o teu poder desfaçatado de
trocar de pele como uma cobra viscosa e traiçoeira, feiticeira do dizer.
E o que dizer quando acontece
algo indizível... bom, só me resta o recomeço de outro ciclo infinito de um
labirinto de letras, sílabas, palavra, frases...