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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

100º A palavra de hoje: Ciclo



Tudo na vida é cíclico? minutos, horas, dias, meses, anos, momentos. Cíclico e circular como a barriga de uma gestante. E de repente nasce...quem sabe um outro ciclo, tão vivo, em movimento, metamorfose, para que outros se fechem em morte. Morro um pouco agora para saber que nasci na incompreensão de mim mesma, compreendendo o incompreensível, para logo depois pensar diferente de tudo que escrevi. Na amargura e doçura de ser dicotômica. Expressando justamente o que eu não queria expressar. Cem palavras para que eu compreenda que estou sem palavras, mas ainda tenho mil palavras, vazias na pia para limpar.
Encerro aqui um ciclo, um momento muito importante para mim, momento de libertar palavras...que muitas vezes nos atormentam, entalam na garganta, arranham, arrulham, gritam ou calam. Por vezes calamos, sentimos medo, insegurança, desesperança, mas entendo, hoje, que as palavras exigem liberdade, não devemos escondê-las dentro de nossos baús interiores, devemos soltá-las ao vento sentir seu sabor. Momento de metamorfose, momento de assumir-se como ser com imaginação, sentir o poder da língua e sua chicotada mortal, senti-las escapar entre os dedos, lábios e mente, mentindo as possuir. Fingir que posso parar o tempo e acreditar que o relógio é meu.
Renascerei em outro espaço, outra folha, outra bolha... porque não posso mais parar, tu me domina e eu te quero dominar. Te toco, te bolino, te morfo, te atiro a outro lugar, mas tu segues, palavra indócil...sempre a me desafiar. Atormentando uma mente insana que te ama e quer te admoestar. Sublime é se expressar, inventar, criar, viver outros mundos que não somente os meus. E deixo que me toques, me penetres na mente e na alma e assim me alimento das mesmas palavras que outros expulsaram. És mesmo vadia, profana, mundana e andas de boca em boca, dormes em algum papel e acordas nos olhos de outro que não eu, vives intensamente todo o teu poder desfaçatado de trocar de pele como uma cobra viscosa e traiçoeira, feiticeira do dizer.
E o que dizer quando acontece algo indizível... bom, só me resta o recomeço de outro ciclo infinito de um labirinto de letras, sílabas, palavra, frases...