Seguidores

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

5º A palavra de hoje : Tempo


Já pararam para pensar sobre o tempo, o que é o tempo? o que ele faz com a gente? ele é relativo? ele é estável?que tempo é esse que nos devora?

Tempo pode ser história, pode ser instante, pode ser eternidade, pode ser simbólico, pode ser clichê. Tempo é memória. Esses dias fui ao cemitério, o cemitério, para mim, é um retrato do tempo ou seria de um tempo?

O tempo que eu mais gosto é o tempo literário, simplesmente fascinante. Não faz muito que eu o descobri, mas logo me enamorei. Imagina só ir de um século a outro em uma página. Passar em um único período de uma dimensão a outra. Passar bem devagarzinho naquele momento da trama que deveria durar uma eternidade. As palavras desvelam o tempo. Tempo é medo ou o medo é questão de tempo? Ainda bem que temos os tempos verbais.

As crianças não se importam com o tempo. “era uma vez ...” é o quanto basta. De novo, de novo e de novo.

O tempo mora dentro dos poetas. E explode em versos. Versos velhos e bolorentos, mas que ao entrarem em contato com o sol iluminam as pobres almas.

Os adultos querem saber tudo. Tempo de máquina de escrever, tempo de computador. Tempo de amar, tempo de morrer. Quanta perda de tempo.

Bom, não tenho mais tempo:

“Eu vou ter que falar com ele, mas o que eu vou dizer meu Deus!!Eu errei Marcus! Mas eu te amo!Tu já erraste e muito comigo e eu te perdoei. A Nanda tem é inveja de nós, ela não tem ninguém, nem sabe o que é amar mesmo. Sabe é pular de galho em galho feito um bicho no cio, ah e fazer fofoca, faz como ninguém. Ele me beijou, ele me pegou!Todo mundo viu.Não...Não. Ele me beijou...tá eu também quis naquele momento, foi meu ego, foi meu lado ruim, aquela coisa que a gente tem de querer se sentir querido, mesmo sabendo que não é pra valer. A próxima parada é a minha. Mesmo se eu tivesse dormido com ele não ia ser como é com a gente. Por favor meu Deus me ajuda! Não me chama de Betina! Me chama de Tina meu amor!Não faz isso!Eu vou conseguir convencer...eu vou chorar.Já to chorando e esse senhor ta me olhando...Marcus, tudo que a gente passou não é em vão, é amor...não se pode jogar fora assim! Me escuta! Não vai! Fica comigo e eu vou te explicar! Talvez se eu tivesse dito...”

-Senhora, pode me mostrar sua identidade... é de praxe! (hum...tem mais de 70, nem parece... Betina Gonçalves...nome bonito...) – Obrigado senhora! Olha, essa é a última parada, viu!

- Ah sim. Obrigada. Desço aqui.

4º Palavra de hoje: Beleza

E eu lhes pergunto: O que é beleza?
Substantivo feminino abstrato? mas eu vejo, mas eu toco.
Beleza humana
Beleza da natureza
Beleza das palavras (sempre elas)
Beleza dos gestos
Beleza do feio
O que aparentemente é feio também pode ser lindo.
Tentamos aprisionar a beleza como se fosse nosso último recurso, como se pudesse ser engarrafada e deglutida em pequenos goles, de maneira que a feiura nunca nos alcançasse, mas, eu sinto muito, ela já nos alcançou. O que é belo também é feio.
Nossa busca incessante nunca termina, isso porque nunca alcançamos.
Como nos salvar da nossa própria loucura?
O que é a beleza, se não uma invenção. Inventamos e nossas invenções são tão belas que perdemos a noção. Nos subjugamos e aprisionamos em nossas próprias amarras. E como libertar-se? Fomos nós mesmos que fechamos a saída.
Dizem que a origem da beleza, a fonte primeira é o cérebro. Eles nos projeta, ele nos engana, ele nos liberta, ele imagina. A imaginação.
Se queremos o que não existe ou o que não podemos alcançar... por que não imaginar?
Aqui nesse espaço que resta em que o branco se ressalta, imenso e brilhante, faltaram palavras, beleza ou talvez imaginação.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

3º A Palavra de hoje : Saudade


Lembrei-me das palavras de meu professor sobre a obra de Guimarães Rosa, ele dizia que Guimarães era tão genial que recriava as palavras e deu-nos o seguinte exemplo: “Os velhos velhavam”.

Fiquei muito tempo desdobram, esmiuçando, conjecturando, digerindo esse verbo “velhar”. Mas o que isso tem a ver com a palavra saudade? Bom, eu tenho saudades do meu avô velhando. E o Word fica o tempo todo tentando achar uma correção para o verbo do Guimarães.

Meu avô contava muitas histórias de um jeito tão diferenciado que por vezes eu sentia que havia um tempero de mentira naquela receita, mas me dava dó de atrapalhar, eram  engraçadas suas histórias. Então eu o deixava velhar.

Agora tem uma coisa, histórias boas contava minha vó, essas sim eram verdadeiras. Ela começava a mexer naquelas caixas e porta joias cheios de segredos eu já ia me aprochegando como quem não quer nada.

Numa dessas eu vi um anel, de ouro com pedra azul, simples, mas bem talhado e de ouro 18. E ela me contou que era anel de noivado da sua falecida tia, tratou de puxar uma foto preta e branca da caixa com uma moça tão bonita, estava meio que de perfil, com aquela expressão que faziam naquela época, como que querendo ser imortalizada. Depois puxou uma foto de um rapaz todo fardado e atrás do retrato preto e branco dizia numa letra que parecia daquelas de cartões de Natal: “Para minha noiva com todo amor. Carlos”.

“Olha guria, foi um amor como poucos. Mas a guerra do Paraguai veio e ele foi. Quando ela morreu me deu esse anel e a foto dele também. Acho que eles se amaram mesmo porque ela nunca mais quis saber de casar, a tua bisa não gosta que fale disso. Vai ver não era mais moça.”

Quando minha vó morreu minha bisa já estavam mais que velhando, já quase não dizia coisa com coisa. Mas por respeito perguntei a ela se eu poderia ficar com o anel de noivado que fora de sua irmã e que estava com a vó, tinha achado tão bonita a história de amor.

“O anel do Carlos? Minha irmã nunca foi noiva. Tua vó não casou com ele porque ele sumiu às vésperas do casamento”.

2º Palavra de hoje : Sangue

sangue de Cristo
sangue das regras
sangue da vida
sangue da morte
sangue da alma
sangue do ódio
sangue do amor

sangue é sexo
sangue é terror
sangue é alquimia
sangue é imortalidade

sangram as mulheres
com suas bocas encarnadas desflorando paixões


1º as palavras me atormentam

Que esse espaço seja um lugar de palavras, as imagens deixo por conta de vocês. Não quero escrever com beleza estética, isso deixo para os escritores. Aqui só palavras que atormentam...me atormentam.
Sabe aquele momento em que estamos deitados, quase atravessando para o nosso mundo inconsciente, aquele momento que podemos passar para o breu do sono profundo ou ficar divagando pelo inconsciente ou ate mesmo pelo consciente. É quando elas chegam numa velocidade e veracidade, que é como se eu as estivesse vivendo.
Palavras que deveriam ter sido pronunciadas e não foram, palavras que me faltaram quando eu mais precisava, palavras que sobraram e não deveriam ter sido ditas. Ódio das Palavras. E quando as digo claramente e meu interlocutor as toma e as recria a seu modo, frustração total.
E aquelas que vem em pensamento, essas são as melhores, as mais soantes, as mais significativas, mas são mudas...só gritam em meu pensamento.
E o poder das palavras que emudece os mais fracos, que exalta os detentores de umas poucas palavras bem trabalhadas. Prefiro aquelas que saem suavemente como gritos que ficam ecoando nas mentes que as acolhem.
Tem também aquelas que os alunos trabalham na escola, ali estão as coitadinhas, desnudas e desavergonhadamente solitárias. Isso porque bom mesmo é um grande encontro de palavras. E o dicionário, bah, esse está obeso de palavras, mas não tem a que eu procuro. E olha a "palavra" lá no dicionário:
palavra
pa.la.vra
sf (gr parabolé, pelo lat) 1 Conjunto de sons articulados, de uma ou mais sílabas, com uma significação. Considerada em seu aspecto material, tem por sinônimo vocábulo; quanto à significação, termo. Col: dicionário, elucidário, léxico, vocabulário (dispostas ordenadamente e explicadas). 2Vocábulo representado graficamente. 3 Frase ou grupo de palavras. 4 Faculdade de expressar as idéias por meio da voz.5 Afirmação, asserto, doutrina. 6 Permissão de falar: Sr.Presidente, peço a palavra! 7 Discurso, oração. 8 Promessa verbal: Ele me deu a palavra de que viria. O capitão ficou preso sob palavra. 9 Promessas vagas (no plural): Isso são palavras! Palavra! (interj): afirmação enfática. P. ativa, Inform: palavra, num texto exibido na tela, que ativa alguma função quando o cursor se move sobre ela, ou quando é selecionada. Geralmente é mostrada em cores diferentes, e usada para definir palavras complexas ou ligar um texto a outro. P. cabeluda: obscenidade. P.-chave: a) palavra que resume o significado global de um texto no qual aparece; b) palavra que serve para identificação em um índice. Pl: palavras-chaves e palavras-chaveP. composta, Gram: a formada pela união de dois ou mais elementos. P. de Deus: a Bíblia, as Sagradas Escrituras e as pregações que se fazem para explicá-las. P. de honra! (interj): protesto verbal com que se garante o cumprimento de uma promessa ou a veracidade de alguma coisa. P. de passe: na maçonaria, espécie de ordem que o neófito recebe à entrada do templo antes do início dos trabalhos e que deve transmitir ao ouvido do irmão vigilante. P. de rei: promessa de cujo cumprimento se tem certeza; afirmação incontestável. P. derivada, Gram: a que é formada de outra, que lhe serve de raiz: pedreira (de pedra). P. divina: V palavra de Deus. P. expletiva, Gram: a que, empregada para dar energia, força ou graça à expressão, pode ser suprimida sem que se altere o sentido da frase. P. híbrida, Gram: a formada por elementos provindos de diferentes línguas; por exemplo, sociologia (sócio, do latim, e logia, do grego). P. interrogativa, Gram: a que na oração indica haver interrogação. P. invariável, Gram: a que não admite flexão de gênero, número, grau, modo, tempo ou pessoa. P. primitiva: a que serve de raiz e da qual outra ou muitas outras se derivam:pedra (pedraria, pedreiro, Pedro etc.). P. secreta: na maçonaria, palavra que se impõe aos adeptos e que é enunciada letra por letra; o que é interrogado dá a primeira letra, o que interroga, a segunda, e assim por diante. P. simples, Gram: aquela em cuja formação entra somente um vocábulo. P. variável, Gram: a que exige flexão de acordo com sua relação gramatical: gênero, número, grau, tempo e modo.Cortar a palavra: impedir que continue a falar. Dar a palavra:permitir que fale (presidente de uma assembléia). De palavra:a) puramente verbal; b) que cumpre o que promete. Medir as palavras: tomar cuidado no que diz, falar com prudência e circunspecção. Não dizer palavra: guardar silêncio. Não ter senão uma palavra: ser constante no que ajustou, combinou ou prometeu, haja o que houver. Pedir a palavra: solicitar permissão para falar numa assembléia. Pesar as palavras: o mesmo que medir as palavras. Ter palavra: cumprir o que promete. Ter a palavra: a) frase com que o presidente de uma assembléia declara que chegou a vez de alguém falar; b) convite para alguém tratar de um assunto. Ter a palavra de:haver recebido o compromisso de. Tirar a palavra da boca de alguém: antecipar-se a manifestar o que esta pessoa ia dizer.Usar da palavra: falar numa reunião depois de lhe ter sido dada a palavra pelo presidente.

Viram quanta palavra para definir palavra, mas é ilusão, isso não é nem a metade da palavra. Já estou confusa, perdendo o foco...é isso que a palavra faz com a gente. Eu sou palavra e tu também, não te iludas, são elas, elas nos dominam.
Mas voltando aquele momento em que estamos deitados, quase transitando para o inconsciente. Aí...é aí que elas me assaltam, me tiram de mim. Por que eu não levantei? Poderia tê-las presas no papel se eu tivesse pego o papel e a caneta, mas não o fiz e elas continuaram livres a me atormentarem. Quando eu acordei algumas ainda estavam lá...e diziam assim:
"Meu pai é obtuso
minha mãe é aguda
meu irmão raso
eu... parábola"

Matemática? Não, apenas palavras.