O pobre velhinho
atravessava a Rua da Esperança, jamais poderia imaginar que seria atropelado,
literalmente atravessado por aquele menino ávido por palavras, o velho com seus
olhos bem arregalados e seu nariz grande disse: entrego tudo!...enfim, o que
dizer de um crime gostoso assim.
Estava a mulher perdida
em suas vastidões com seus olhos de mistério e melancolia quando a menina a
espreitava detrás da esquina de alguma palavra, avistou a embarcação que vinha
neste espaço de ninguém que é uma folha em branco. Pulou na nau e atravessou a
mulher retalhando-a com os espelhos.
Com seu chapéu
discreto, com seus olhos argutos e tristes detrás dos óculos pequenos, com seu
bigode que mais parece um acento circunflexo sobre o ponto que é sua boca... vinha
ele em mais um de seus disfarces, um fingidor de caráter, mal sabia que suas
identidades foram descobertas... provou o veneno que lhe deram, estava
disfarçado em uma doce palavra...quase um bálsamo para sua alma agitada.
Moça bonita, com olhar
de alma, morreu Espanca-da por suas próprias palavras que, em algum momento
foram pronunciadas por uma mulher desavisada.
Como refletir a
existência se não for matando alguém?
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