Olhei o relógio, 6hs da
manhã, Jaguarão dormia ao som da farra dos passarinhos brindando o dia, eu ia,
lendo o ano nas fachadas antigas, 1881, 1899, 1924, 1933... os comércios
fechados, os porões, quando criança eu corria na frente da minha mãe e parava
nas janelinhas dos porões querendo descobri algum segredo, com nojo das teias
de aranha que ali ficam depositadas, quantas histórias devem impregnar as
grossas paredes...mas isso eu pensei agora, segui, parei na esquina, cc nas
grades das janelas, clube caixeiral, poderia tentar explicar o bafo que subia,
ali mesmo, mas não encontraria palavras boas para dimensionar, lembrei da adolescência,
segui vendo o rio, um chão de vidro entre Brasil e Uruguai, a ponte estava
vazia, talvez ao longe alguém, que sentimento é esse que me vem por dentro?pertencimento?por
que quando estamos em silencio dizemos tanto a nós mesmos?nosso lugar no mundo...tão grande
e tão pequeno... o que estariam fazendo as pessoas em suas casas?e em outras
cidades?o que estariam pensando?voltei fazendo o mesmo trajeto, sentindo-me
dona daquele tempo e espaço, a cidade é minha ou eu sou desta cidade?
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