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sábado, 29 de setembro de 2012

37º A palavra de hoje: Medo II


No silêncio
Dobrei a esquina do beco
Com o coração aos pulos

Tentei subir nos mais altos muros
Rasguei meus dedos nos cacos de vidro
Sem sentir a dor

Com o coração aos pulos
E com os ouvidos capazes de captar o menor ruído...
Dilataram-se ao máximo minhas pupilas, como um gato

Senti: algo se aproxima!
Vindo não sei de onde
Também não sei pra que

No escuro vinha
O medo
Com suas truculentas asas negras

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

36º A palavra de hoje: abra


Hoje acordei triste com minha própria inconstância de ser, se falo de amor sou piegas e mulherzinha, se falo da existência sou soberba e arrogante, se falo de passado sou saudosista, se falo de hoje sou antiquada e ressentida  se falo da humanidade sou feminista enrustida. Falar de quê?
Calar-se para que? Fingir ser insensível, inatingível. Quem sabe ser compreensiva, permissiva. Talvez agressiva, não sei. Por que nos projetamos nos outros? Admiro os eremitas, mas não consigo sê-los.  
De que me servem as palavras se não para tocar alguém? Como é bom atirá-las ao papel como o fazem as crianças, com tanta força que formam alto relevo nas páginas. Usá-las para desenhar o mundo e deixar-se usar por elas para entrar no mundo onírico, só com a pontinha dos dedos dos pés tocando o duro piso da realidade.
Banhar-se num rio de lágrimas de dor ou de felicidade, tanto faz. Depois secar ao vento do bater de asas de um passarinho. Entrar no casulo de uma borboleta e sair multicolorida. Olhar o mundo sob o prisma de uma formiga.
De mansinho, entrar nas funerárias e deixar todos os caixões sem tampas, sempre, como marcos sem portas, uma fuga do epitáfio. Dormir em plena luz do dia. Acordar no meio da noite e sair a caçar estrelas, soprar bem forte para ver se alguma se apaga.
Voar sem freio ou direção, subindo, subindo como um balão. Sentindo um friozinho na barriga. E quando os passarinhos forem para os ninhos, as abelhas para a colmeia, o sol para o outro lado do mundo, eu vou descendo, bem devagarinho até cair em um livro escancarado no meio. Depois de fechado, me restará apenas o desejo de que um dia ele volte a ser aberto.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

35º A palavra de hoje: desavença


Transformei tuas palavras ríspidas
Em carícias

Quando de tua boca saiam ofensas e impropérios
Recordava eu de nossos mais cândidos momentos

Quando me viraste as costas
Me encostei de leve e sonhei

Transformei angústias
Em poesia

Engoli em seco
Toda agonia

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

34º A palavra de hoje: pingos


Todo dia pingo uma palavra
Juntando frases
Formando textos
Na busca incessante de mim

Na vã esperança de ser compreendido
Com a certeza da incompreensão
Vamos lentamente dando vazão
Eu das minhas
Tu das tuas
Nós das nossas

Como chuva mansa
Que pinga macio
Na terra ressequida
Hidratando, penetrando profunda
Vai alimentando as plantas e quem sabe os prantos

Vão saindo choradas
As palavras
Meio tímidas devido à nudez
Por vezes afiadas... brilham feito punhais
Rasgam o peito

Olhai!
Pobres palavras!
Vão desfalecendo
À medida que teus olhos furtivos
Se desviam desinteressados

terça-feira, 25 de setembro de 2012

33º A palavra de hoje: medo


É como acordar no escuro
Tateando as paredes
Com mãos inseguras

É como sufocar
Sentindo um grito na garganta
Que não sai

É como ter as pernas trêmulas
Como que sem forças
Para correr

É como um frio que penetra os ossos
Esquentando tudo
Queimando

É como que uma febre que se alastra
Contaminando lentamente a carne boa
É o medo

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

32º A palavra de hoje: branco


Nesta linha branca e plana
Jazem as ideias que nem chegaram a nascer
Como um feto mal formado
Que foi expelido antes mesmo de crescer

domingo, 23 de setembro de 2012

31º A palavra de hoje: verso


Letra por letra, saltando-me a mente
Como agulhas finas, as imagens invadem meus olhos
Como um golpe na barriga, a ação dos outros me atinge
Regurgito
uma
a
uma
Pronto
Já tenho um verso
Por si só não basta
Mas me alivia.

sábado, 22 de setembro de 2012

30º A palavra de hoje: Lupicínio


Um menino chamado Lupicínio. Sua cabeça era tão grande que seus pais acharam que ele não aprenderia a caminhar. Era ojerizado por todos, inclusive pelos seus.
Lupicínio tinha tantas coisas a dizer, mas ninguém queria ouvi-lo, na verdade o temiam. Como se fosse um monstro perigoso. Não ia a escola, não brincava com as outras crianças. Em verdade, só crescia, parecia uma bomba relógio prestes a explodir.
Os médicos intimamente desejavam dissecá-lo, descobrir-lhe os mistérios do monstruoso cérebro. Lupicínio era de outro mundo, pensavam alguns.
Como que por destino, um dia Lupicínio saiu sozinho, tendo por companhia sua imensa solidão. Foi então que alguma alma vil atingiu aquele chamativo alvo. Como pode uma pedra tão pequena causar tamanho estrago? Passou-se o tempo...como se passa em toda parte.
Silêncio se fez naquela localidade. Mas todos se indagavam intimamente - Como podia brotar, sempre, tantas flores coloridas em meio às pedras incrustadas? Uma menina, no banco da praça, desenhava um menino de enorme cabeça de sementes douradas.




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

29º A palavra de hoje: olhar


Gosto de olhar os bichos
Também eles têm suas artimanhas
Gosto de olhar a primavera
Alastrando-se em cores
Gosto de olhar as gentes
Em seus andares pela rua
Gosto de olhar a chuva
Apagando o fogo dos amantes
Gosto de olhar os livros
Projetores dos olhares de outros observadores

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

28º A palavra de hoje: usurpar


Os outros podem tirar tuas melhores roupas
Podem pegar tuas joias
Roubar teus amores
Dissimulando inocência

Podem fingir sentimentos
Para estarem grudados a teu pescoço
Como sanguessugas
Mas jamais alcançarão tua essência

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

27º A palavra de hoje: reticências


Acordei na madrugada
Fiquei a pensar em nada
Refleti sobre o mundo
Assisti ao filme da minha vida
passiva
não pude fazer nada
ao imaginar o final...



26º A palavra de hoje: Julgamento


O julgamento é sempre injusto, somente uma verdade sairá vitoriosa. Somente uma será considerada. Crime e Castigo. Fugimos dos nossos crimes, mas nossa consciência estará sempre a nos apontar.

A própria consciência é algo relativo e subjetivo. O que para uns é pecado capital para outros não o é. Não escaparemos do julgamento alheio. O homem mede, avalia, argumenta, julga. Encontrar a verdade analisando fatos e atos. Mas somos humanos, passíveis ao erro, como julgar?

O tempo inteiro julgamos baseados e ancorados em nossas verdades e princípios, mas e o outro lado? A justiça é mesmo cega? Bem, alguém tem que criar as leis...baseado e ancorado em algumas verdades.

E a justiça divina? Em algum momento clamamos por ela. Por mais céticos que sejamos, intimamente, a desejamos. Quem será que dá o veredito por lá? Se não acreditássemos em nada, nada seria.

O arrependimento também está por ai...presente no ser humano. E é digno também. Como não se arrepender? Se nós mesmos somos juízes de nosso fazer. Temos livre arbítrio. Temos o pensamento para nos guiar. Este sim é livre.

Cada um pensa o que quer. Livre expressão. É justo? Cada um pense o que quiser.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

25º A palavra de hoje: passeio


Decidi penetrar em meu interior
Passei por lugares escuros
Vi muitos sentimentos
Plantei mais uns
Desci mais fundo
Encontrei uma menina
Em meio a seus brinquedos
Desenhos coloridos
Ela não tinha cabelos
Tinha um olho de cada cor
Perguntei-lhe o nome
Disse-me apenas
Imaginação

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

24º A palavra de hoje: algumas


Minutos para um soneto
Uma vida inteira para um verso.

...

Recorro aos mesmos temas
Desenho as mesmas letras
Reciclo papéis
Transformo-me em outrem

...

Fofoca
A poesia é fofoca
Tu diz
Alguém conjectura outra

...

Aqui palavra
aqui papel
eu existo
aqui sou discurso e nada mais

...

Voto de silêncio



...

domingo, 16 de setembro de 2012

23º A palavra de hoje: Refletindo


Em um mundo em que se fala tanto em originalidade tudo que vemos é a reprodução em massa. Um diz que o bigode é a bola da vez e sai todo mundo ponde bigode sem nem saber o porquê.
Um número oito deitado, simbolizando o infinito, vira tatuagem, anel, corrente, o diabo a quatro. Que ironia neste tempo de tanta efemeridade!
Temos de estar embalados, enquadrados, milimetricamente fechados nesse turbilhão de ter de ser.
Fala-se tanto em saúde, sustentabilidade, bulliyng... Tudo fachada! Vivemos aferrados a padrões de beleza a serem conquistados a caro custo, saúde coisa nenhuma! Sustentabilidade? Pouco importa aonde vão por tanto lixo, o negócio é consumir, as gerações futuras que se arranjem! Aliás, o que são gerações futuras? Bulliyng... São tantas explicações para explicar o que sempre existiu, mas que agora está fora de controle.
A profissão do futuro é a psicanálise e psicologia... Muitos problemas existenciais porque simplesmente desaprendemos a existir, pensar e resolver-nos. Tomamos um remedinho, nos deprimimos quando não temos, quando não somos, quando não aparecemos. Visibilidade essa é a palavra! É Claro! Somos únicos. Como ser como ovelhas então?
Mas não me entendam mal! Quando falo em sermos únicos, não estou falando neste egoísmo crescente de achar que o mundo gira em torno de nosso umbigo, de virar a cara para o próximo como se ele não existisse, de gritar para o mundo “amo os animais e as flores!”, “Não tenho preconceitos!”, “Tenho a mente aberta!”... E as atitudes? Sem comentários.
Não é pessimismo, talvez reflexão, indignação. Posso até estar exagerando, caindo no lugar comum. Pode ser. Mas pelo menos penso. Penso que temos que pensar mais!


22º a palavra de hoje: Ser II


Inteligência
Mostrar conhecimento
Mostrar cultura
Mostrar

Ignorância
Fingir cegueira
Fingir desconhecer
Fingir

Amor
Comprar amor
Comprar seda
Comprar

Felicidade
Dizer mentiras
Dizer barbaridades
Dizer

Palavra
Fazer discurso
Fazer poesia
Fazer

Mundo
Viver no mundo
Chegar ao fundo
Ser


           

21º A palavra de hoje: Ser


Achas que podes me comprar?
Sim, podes
Finjo ser o que eu não sou
Só para te agradar
Te vi
No carro
Na balada
Cheio de amigos
Bebidas, cigarros
Tua roupa
Eu vi na net
Ultima tendência
Ter estilo
Ter estilo
Quando fomos pra cama
Nem foi tão bom assim
Fingi
Agarrei-me a ti
Para ser o que eu não sou
Vás descobrir?
Pura casca
Não saio sem arrumar o cabelo
Disfarço minhas imperfeições
Na cama outra vez
Faço coisas que não gosto
Para que penses que sou
Não sou
Finjo
O tempo inteiro
Inventei personagem
Tão verdadeiro
Que até eu acredito
Amor amor
Quando brigamos
Penso em tudo que me desses
Me calo
Finjo indignação
Cedo
Para não perder tudo que eu sou














sábado, 15 de setembro de 2012

20º A palavra de hoje: gatos II


Sagacidade
És tão arguto
Olhos como lanternas
A perscrutar a noite
Língua áspera
No pelo macio
Andar silencioso
Vai serenamente no caminho íngreme
Brincar com o novelo
O pulo certeiro...
Encantador de passarinhos

19º A palavra de hoje: Gatos


Esnobes felinos
Tão independentes
Com seus olhos de mistérios
Vão se esgueirando languidamente
Em meio a noite soturna...

Tomam banho de língua
Sensuais e infiéis
Trepados nos telhados
Esbanjam superstições
Entre ronronares e miados

De dia dormem profundo
À noite velam teu sono
Espantam os maus espíritos
E aves de mau agouro

18º A palavra de hoje: Ferida


Um dia tu te calaste
E teu silêncio me feria
Mais que um grito...
Um dia tu me negaste
Teu braço
E teu abraço me fugia
Mais que agonia...
Um dia tu te apagaste
De uma maneira que eu não imaginaria
Nossa casa ruía...
Um dia os dias passaram
Olhei para o lado
Já não te via
Um rubor me subia as faces
E a saliva eu já não engolia
Eu me eximia e me perdia...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

17º A palavra de hoje: Nada


Por vezes queria ser um pedaço de nada
Daqueles que se dissipar no ar
De um jeito que nem o vento me pudesse tocar
Queria me desfazer em micropartículas
Que nem o mais poderoso microscópio pudesse visualizar
Outras... queria ser dura como pedra
Talvez um diamante que ninguém pudesse lapidar
Uma lápide fria onde jaz alguma dor ínfima
Queria cegar meus olhos, assim como Édipo
E depois olhar-me no espelho
Quem sabe ter os olhos de Medusa...
Consolaria-me ser a pintura do mestre Caravaggio.

16º A palavra de hoje: Morte II


Outra história para morte...
Duas moças que se amavam
Vida e Morte
Clara e Escura
Sorriso e lágrimas
Vida estava prometida ao Tempo
Mas não o amava
Vida queria Morte
Mas foram condenadas
Tinham que ficar separadas
Tempo as separava
E toda vez que suas línguas se tocavam
Vida se esvaía nos braços de Morte.

15º A palavra de hoje: Morte


A dor
A saudade
A decepção
A maldade
A morte
O feminino pode ser venenoso e cruel
Gosto da morte, lá está ela tão rubra
Misteriosa e atraente
Poderia inventar uma história pra ela...
A vida e a morte, duas irmãs
Morte tinha ciúmes
Só Vida ganhava brilho
Só Vida era querida
Pra Morte só escuridão
Então Morte seduziu Vida
Morte ia dar cabo a Vida
Vida, esperta, se multiplicou
Morte, com dignidade,
Se dedicou
Sugar Vida
Uma a uma
Sem cessar
E assim continuaram as duas
Num eterno caminhar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

14º a palavra de hoje: Aprender


Aprenda com os jovens, aprenda com os velhos.
Aprendo tanto com ela, e ela só tem dois anos de idade. Tempo suficiente para saber qual o real valor da vida. Estou aqui pensando que, em verdade, com o passar do tempo vamos desaprendendo...
Mas eu lhes digo, estou aproveitando a chance, leio-a todos os dias e aprendo. Já tive uma oportunidade antes, mas não tinha a maturidade necessária para ler, apenas decodifiquei. Agora não, leio como se lê uma poesia, soltando minha imaginação, visualizando cada imagem sentindo os cheiros, diria até que vivemos poesia na infância e é quando a abandonamos que desaprendemos a importância e o lirismo da vida.
Espirro+ pum= risos
O pato que por vezes é tapo
Conversar com cachorros e passarinhos
Chorar sempre que não gostar de alguma coisa
Sentir ciúmes e expressá-lo imediatamente
Beijos babados sem o menor motivo
Fazer os ruídos mais esquisitos sorrindo
Pedir amor tão espontaneamente que se torna impossível negá-lo
Querer a mãe e o pai sempre perto
Não ter nenhuma preocupação estética
Pedir água se torna uma grande descoberta linguística
Tentar colocar o dedo do pé na boca é um grande feito
Preferir o carreteiro ao file
Levar os primeiros grãos de arroz a boca, mesmo que a metade fique pelo caminho, é sinal de independência
Olhar o dinheiro como quadradinhos coloridos e bolinhas douradas e prateadas, um verdadeiro tesouro
Brincar com qualquer criança, com os olhos de criança, não importa a roupa, o cabelo ou outros detalhes desimportantes, a vontade de brincar sim é fundamental
Chamar a atenção descaradamente sem disfarce
Fazer manha
Dizer a verdade sempre, mesmo que vá doer depois
Brincar com o nada, lembrei até o quanto o nada é tudo na infância  
Usar a imaginação e chegar onde queira
Dançar desengonçadamente
Ser dono de um palácio intransponível de amplitude e magnitude inenarrável
A alegria de colher com alegria uma simples flor
Rolar na grama desfazendo o cabelo enxovalhando a roupa toda
Desconsiderar o tempo. O tempo é o do viver
Fora coisas que talvez minha leitura não consiga abarcar e é ai que está a riqueza desta obra.
É preciso ter sensibilidade para ler.
É bem provável que eu não consiga terminar de lê-la, por isso eu falei dos velhos lá no inicio.






13º A palavra de hoje: Amor


Sempre senti a necessidade de falar de amor, todos nós falamos de amor. Mas como é difícil falar de amor! Opa! Quer dizer, como é fácil falar de amor, o difícil é explicar o que é de dentro da gente.

Como explicar o inexplicável? Um corpo estranho, e com certeza, todo meu sistema imunológico o tentou expelir. Mas ele ficou. Algo que cresceu alterando qualquer possível equilíbrio hormonal. Desajuste, devaneio, descoberta, despertar... uma flor a desabrochar... Trauma.

Como aceitar o inaceitável? Milagre?

Noites em claro. Choro em vão. Dias e noites velando teu sono. Invadindo teu mundo. Perdendo o meu. Reconhecendo o que é meu. Mas não é meu!

O tempo que passa como que em trapaça. Já não te posso segurar!

Já não és meu, és do mundo.

Olhei pra trás e vi: Não fui o que deveria ter sido pra ti! Eu podia ter sido melhor, eu queria ter sido melhor...

Nunca mais serei a mesma.

 E de repente uma princesa... é o ciclo outra vez. Como pude eu esquecer tudo que  passei? Não esqueci, revivi.

Noites em claro. Choro em vão. Dias e noites velando teu sono. Invadindo teu mundo. Perdendo o meu. Reconhecendo o que é meu. Mas não é meu!

Eu estava mais madura. Fiquei sabendo que não poderia outra vez! Mas eu nem queria, está tudo bem. Mas então por que esse vazio que tenta me comer?

O primeiro sorriso, o primeiro beijo, balbuciar incompreensível que só eu sei compreender...

Nunca mais serei a mesma.

Fiquei tão clichê.

Eu quis ser poeta... sou mãe.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

12º A palavra de hoje: Maria


Nasceu Maria.
Identidade e alteridade.
Divino e profano.
Uma Maria dificilmente estará desacompanhada... Maria de Fátima, Maria das Dores, Maria de Lourdes, Maria Madalena... Maria
Maria e o anjo.
Simplesmente Maria. E é possível ser simples sendo Maria?
E como abandonar o estigma? mãe perfeita, progenitora, santífico sacrifício.
Maria pariu.
Ou então, maria: só mais uma, uma multidão de marias, sem nome, sem rumo, com nome, com rumo. Maria e nada mais...
Maria com h no fim para enfeitar...Maria para recordar... Maria a perpetuar.
Ah! é uma Maria ai... Oh! É Maria. Quanta diferença entre marias!
O peso do nome. Nomear uma pessoa. Chamar Maria.
Tanta simbologia, tanto significado!
Maria é religião, Maria é história, literatura e novela.
Maria é completa? Maria é lacuna?
Maria é samba e poesia.
Fica difícil confessar... mas... também sou Maria.

sábado, 8 de setembro de 2012

11º A palavra de hoje: Homem


Somos mesmo produto do meio? Ou já viemos estragados de fábrica?
Será que eu só tenho perguntas, nunca respostas? Mas e se eu responder errado?
Homem? e as mulheres e crianças?
Tenho que ler mais livros... sede.
Quanta coisa o homem inventou...a roda. Evoluímos ou regredimos?
Afundamo-nos em nossa própria evolução. O homem é um ser social e agora é via wi-fi.
Mentimos e não há outra maneira, precisamos ludibriar a nós mesmos. Se não como viver em sociedade (invenção nossa, diga-se de passagem).
Em mim muitos habitam, tantos que nem eu sei. Poucos exteriorizo, se não como viver. Se todos saem nos chamam de loucos.
São tantos padrões e tão poucas razões.
Não cabe nesta página o tanto que tenho a dizer. Mas o homem já inventou o resumo também.
E as forças da natureza se levantarão contra nós? Mas e não somos nós uma força da natureza?
Não viemos do pó e a ele retornaremos? Mas o homem ainda busca a eternidade dos deuses, a fonte da juventude ou alguma droga nova com o mesmo efeito.
Carne, osso, 75% de água e quizá alma. Máquina perfeita, pena o prazo de validade.
Pequenas caixinhas contendo os defeitos, grandes cofres guardando as qualidades. E só Deus sabe quem se liberta primeiro. Creio que a maldade. Por que tem que ser a bondade primeiro? Por que não a maldade?
Se sobrevivemos, talvez seja mérito da maldade.
Já nem sei o que estou escrevendo. Normal! Faço parte do grupo. Fica difícil a imparcialidade.
É melhor entender através da literatura. E a língua que músculo maravilhoso! A língua, o cérebro, os olhos, as mãos numa orgia tão digna. Criando, articulando, suando cada palavra que pinga. A modéstia que nos perdoe, mas que beleza a língua! Nossa melhor invenção!